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Poluio sonora, um inimigo invisvel

2012-04-10 - A poluio sonora uma forma de agresso ambiental que frequentemente negligenciada at nveis muito prejudiciais. Reduzindo a nossa qualidade de vida e afectando os ecossistemas, os dcibeis em excesso so um inimigo invisvel.

Existem formas de poluio to distintas como a poluio atmosfrica, das guas, dos solos, a poluio gentica, luminosa e sonora. Em comum a todas elas, h uma interferncia, de origem antropognica com efeitos negativos no meio e nos seres vivos.

As primeiras trs caracterizam-se pela contaminao dos respectivos meios com substncias prejudiciais vida. So por isso quantificveis na razo da quantidade dessas substncias presentes no meio. A poluio gentica, decorre por exemplo do cruzamento de espcies domesticadas com espcies selvagens que lhe so prximas ( o caso da hibridao do gato-bravo com o gato domstico). Neste processo pode perder-se um patrimnio gentico irrecupervel. Tambm aqui actualmente possvel quantificar o grau de contaminao.

A poluio sonora, tal como a luminosa e ao contrrio das anteriores, no deixa resduos, existindo apenas no momento em que est a ser produzida. Por este facto, so formas de poluio tendencialmente consideradas menos perigosas. No entanto, sabe-se que a exposio repetida a estas formas de agresso pode produzir efeitos crnicos e irreversveis.

Os efeitos da poluio sonora so de resto ainda pouco estudados, porque difcil estudar uma forma de agresso que s se manifesta como resultado de uma exposio prolongada e que por isso sofre a interferncia de um elevado nmero de variveis difceis ou impossveis de controlar.

Na natureza, e no que toca a espcies selvagens, esta dificuldade ainda maior porque, em regra, s perturbaes sonoras esto invariavelmente associadas outras formas de perturbao. Vejamos este exemplo: quando se verifica que uma pedreira causa impactos negativos nas espcies que habitam nas imediaes, extremamente difcil quantificar qual a importncia do rudo dos rebentamentos com dinamite face a todos os outros factores, como as poeiras ou o trfego de mquinas e camionetas.

O potencial prejuzo causado por um som independente de este agradar ou incomodar, quem o ouve. Inclusivamente, um rudo inicialmente incmodo pode, por habituao, passar a ser tolerado. Tambm se verifica que a tolerncia para sons semelhantes muito varivel, sendo frequente uma pessoa sentir-se incomodada com o rudo de veculos automveis numa estrada e sentir-se repousada com um rudo de intensidade semelhante produzido pelo mar ou por uma cascata.

A prpria definio de rudo extremamente ambgua. Aquilo que pode ser msica para alguns pode ser rudo para outros, ou mesmo aquilo que em algumas circunstncias pode ser um som agradvel, pode noutras tornar-se quase insuportvel.

Pelo contrrio, o som pode definir-se objectivamente como ondas de presso que se propagam atravs de um gs, como o ar, de um liquido, como a gua, ou at de um slido. De uma forma geral, o ouvido humano consegue detectar sons entre os 20 e os 20 000Hz. O Hertz a unidade de frequncia, que corresponde a um ciclo por segundo. Convencionou-se chamar aos sons abaixo da capacidade de deteco pelos humanos infra-sons e aos acima desse limiar ultra-sons.

A unidade de medida da intensidade do som o Decibel (dB). Esta uma escala logartmica, em que se considera a unidade (1 dB) como o valor correspondente ao som mais baixo que o ouvido humano consegue detectar. Por esse facto, 10 dB correspondem a um som 10 vezes mais intenso que 1 dB, 20 dB 100 vezes mais intenso, 30 dB 1000 vezes e assim sucessivamente.

Assim, o som produzido por uma aragem nas folhas de uma rvore poder rondar os 10 dB; j o trafego em hora de ponta poder atingir os 90 dB e igual valor o estrondo das cataratas de Niagara. Um martelo pneumtico atinge os 100 dB e um avio a baixa altitude aps a descolagem os 130 dB. Se atendermos a estes valores, e sabendo que o ouvido pode sofrer leses a partir dos 85 dB, verificamos que qualquer habitante de uma grande metrpole est diariamente exposto a agresses mltiplas de consequncias provavelmente irreversveis. O efeito maligno do rudo no decorre apenas da sua intensidade, mas tambm da sua durao. Portanto, um trabalhador sujeito a um rudo de 75 dB aconselhado, mesmo usando proteces, a no ultrapassar as 8 horas de exposio dirias. Atendendo natureza da escala, se o rudo for de 78 dB o nmero de horas deve ser reduzido para metade. No limite, verifica-se que apenas quatro minutos de exposio a um som de 110 dB, um valor frequente em discotecas, pode causar danos definitivos na audio.

Infelizmente, nos humanos as consequncias da poluio sonora no se ficam pela perca de audio. Ironicamente, enquanto no se perde, parte ou a totalidade desta, pode-se ficar sujeito a um role interminvel de consequncias ainda mais graves. A poluio sonora contribui para o agravamento da hipertenso, da taquicrdia e arritmia, e tambm para desequilbrios dos nveis de colesterol e hormonais. tambm um factor de stress, e por isso pode ser responsvel por distrbios do sono, dificuldade de concentrao, perda de memria, outras perturbaes psquicas e at tendncias suicidas.

As consequncias do rudo nos animais silvestres so em muito semelhantes s sofridas pelos humanos, e ainda piores em alguns casos. Muitos animais dependem directamente da audio para comunicar e para caar, ou para evitar ser caados. A diminuio destas capacidades acaba frequentemente por se fazer sentir ao nvel da produtividade e de um elevado nmero de parmetros fisiolgicos. Os animais silvestres evitam zonas de grande poluio sonora como as grandes metrpoles. Certamente que o rudo no a nica razo por que o fazem, mas natural que tenha um peso considervel, com efeito sabe-se que os animais silvestres evitam o rudo por si s, vendendo-se inclusivamente no mercado mquinas para o produzir com a finalidade de espantar aves dos campos agrcolas. Em todo o caso, quando da utilizao repetida destes mecanismos, como sucede por exemplo em alguns aeroportos, as aves acabam por se habituar e passam a ignorar o rudo. Mesmo assim, obviamente que pelo simples facto de os animais se habituarem ao rudo no podemos concluir que este no lhes prejudicial.

Actualmente a poluio sonora no se restringe sequer s zonas habitadas, chega efectivamente a quase todo o lado. Desde as imensides geladas dos plos, at s selvas mais remotas, as actividades humanas e consequentes rudos fazem-se sentir, nem que seja atravs do nmero crescente de avies que cruzam os cus.

Ao nvel dos oceanos, o problema parece ser ainda mais grave. Por um lado, e pelo facto dos mares e oceanos no serem habitados por humanos, no se investe quase nada na reduo do rudo produzido nesse meio. Por outro lado, a propagao do som na gua faz-se no s mais rapidamente, como at maior distncia do que no ar.

Os oceanos albergam ainda animais, com caractersticas particulares associadas ao som, como os cetceos (baleias, golfinhos) que esto dotados de sonar, e que dependem deste sistema de eco-localizao para se alimentar e se orientar. Pensa-se que interferncias neste apurado sentido possam estar na origem da coliso de cetceos com redes de pesca, ou dos cada vez mais frequentes erros de navegao que os levam a encalhar em praias e baixios.

A poluio sonora est efectivamente na origem de um enorme nmero de problemas para todos aqueles que de uma forma ou de outra beneficiam do maravilhoso sentido da audio. O primeiro passo na procura de uma soluo para esta questo passa pela tomada de conscincia de que este um problema em que somos a causa, uma das vtimas, e a nica soluo.


Mais informação em: http://naturlink.sapo.pt/Natureza-e-Ambiente/Gestao-Ambiental/content/Poluicao-sonora-um-inimigo-invisivel?bl=1&viewall=true#Go_1

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